
"Nos encontramos em meio à multidão, houve uma troca de olhares impactante, e, no mesmo instante - mesmo que não nos conhecessemos - sabíamos que nossas almas pertenciam uma a outra. Com uma certa impulsividade ele se aproximou e com visível interesse se apresentou; quando ouvi o timbre da sua voz, me senti estremecer, não de medo ou vergonha, mas de um sentimento que estava se manifestando dentro de mim, em todos os meus órgãos. Meu coração palpitava, minha pele suava como nunca e meu estômago nunca ficara tão cheio de 'borboletas'. Sei que não tenho nenhuma visão de raio x, mas a certeza de que ele estava passando pelos mesmos sintomas que os meus era inegável. Após 2 segundos de troca de olhares, ele se aproximou para beijar minha face, - subtamente seu cheiro entrou pelas minhas narinas de forma espontânea, e, juro que nunca havia sentido perfume melhor que aquele. Depois do beijo, abriu um sorriso e segurou minha mão como quem não quisesse me soltar nunca. Me levou até um lugar calmo, se sentou no meio da grama e me convidou a sentar ao lado dele, logo, o fiz.
Era tudo inacreditável! Como eu poderia estar tão 'íntima' de um estranho - o qual eu só sabia o nome - em questão de minutos? Eu não sabia responder isso, mas a certeza que minha alma o conhecia não me deixava sair dali.
O silêncio prevaleceu, eu não sabia o que fazer - e nem ele pelo visto - mas nunca havia me sentido tão completa em toda a minha vida, eu queria dizer isso à ele, mas não havia coragem o suficiente.
Ainda segurando a minha mão ele me abraçou e no meu ouvido disse a seguinte frase: "Eu sei que a gente nunca se viu, e que isso pode parecer loucura, - houve uma pequena pausa e eu continuei a frase junto dele com uma perfeita simetria de palavras - mas eu nunca fiquei tão feliz e completo(a) em toda a minha vida." Nos olhamos com certo medo, entramos num infinito de gargalhadas e logo surgiu uma felicidade imbatível... ele segurou meu queixo, analisou todo o meu rosto e ali me beijou, com um amor que eu nunca havia experimentado igual..."
Flávia Quintino - 30/08/2010