sábado, 14 de agosto de 2010

suffering


Era uma tarde de terça feira, estava ela acabando com tudo que achava ser seu sofrer; de início ficou aliviada, só não sabia que na verdade seu sofrimento começara ali!
Os dias foram se passando, e sua solidão aumentava cada vez mais. Se arrependeu de ter sido precipitada, como repetira muitas vezes em sua vida, mas dessa vez era bem diferente, nunca havia sido tão difícil se desapegar do passado.
Daquela terça feira em diante todas as músicas, pessoas, todos os cheiros, gostos e sons tinham algo que a levava pensar nele. Nada mais tinha característica própria, a não ser as características dele em todas as coisas.
Ele, que sofrera muito naquela antiga, porém recente terça feira, já não pensava tanto nela assim. Talvez pra ele, ela não passara de mais uma garota, mais uma paixão fulminante, mais uma que havia gostado dele, ou até mesmo um nada, ela poderia ter sido nada pra ele...
Choro, melancolia e sofrimento viraram "amigas" leais da garota, se apoderaram dela de tal forma que ela não sabia mais como se livrar das tais. Seus amigos, que a conheciam bem, sabiam que havia alguma coisa errada com ela, que sempre fora alegre, sorridente e brincalhona; mas ninguém sabia como trazê-la de volta.
Ela estava sem forças pra lutar contra todo esse drama, decidiu então, da pior maneira possível dar um fim àquilo tudo. Partiu em direção à montanha mais alta que havia na cidade, ao chegar lá, andou até o ponto final da mesma, e quando estava prestes a pular no abismo, um forte vento a empurrou para o lado oposto, o que a fez cair no chão, e, na mesma proporção de tempo, fez a garota pensar no que estava fazendo com sua vida.
Era um pensamento confusamente claro, estava a lhe mostrar que as coisas não eram tão graves assim; se ela já vivera todo aquele tempo sem o garoto, por que não poderia viver todo o resto da sua vida sem ele? Uma frase que ouvira a tempos em algum lugar, veio na sua cabeça: "é a minha vida, e não ficarei às margens observando ela passar"; logo após essa lembrança, abriu um largo sorriso - que não abrira há tempos - e voltou pro seu mundo divertido e bacana, sem ao menos lembrar da existência do garoto.
Sem dúvidas ela nunca havia crescido e amadurecido tanto como nas últimas semanas, mas nada disso seria possível se não houvesse a ajuda do mais cruel, ou melhor, o mais "bondoso" dos sentimentos: o sofrimento.


Flávia Quintino - 15/08/10